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CPMI expõe omissões da segurança no DF na tentativa de golpe em 8 de janeiro

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CPMI expõe omissões da segurança no DF na tentativa de golpe em 8 de janeiro

 

O coronel Jorge Eduardo Naime, ex-chefe de Operações da PM, disse que havia alertas que poderiam evitar a invasão e depredação dos prédios da Praça dos Três Poderes

 

Coronel Naime depõe na CPMI (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)

Em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga os atos golpistas do 8/1, a CPMI do Golpe, o coronel Jorge Eduardo Naime, ex-chefe de Operações da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), disse que havia alertas que poderiam evitar a invasão e depredação dos prédios da Praça dos Três Poderes.

De acordo com ele, comunicado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) avisou as forças policiais sobre a invasão às 10h no dia 8 de janeiro e, um dia antes, um grupo no Whatssap denominado Sisbin, com representante do centro de inteligência da secretaria, também sabia da gravidade.

“Ou as agências não passaram a informação para o secretário [de Segurança] e o comando-geral, ou eles ficaram inertes”, disse o depoente, que inicialmente apresentou um atestado para não depor e depois voltou atrás.

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Ao indagar o coronel, a deputada Jandira Feghali (RJ), líder do PCdoB e integrante do colegiado, passou mais uma informação: “O coronel PM Jorge da Silva Pinto, que é ex-coordenador de Assuntos Institucionais da Inteligência, diz que todas as informações foram repassadas para o então secretário-executivo Fernando Oliveira e compartilhada com Anderson Torres [ex-secretário de Segurança do DF e ex-minitro da Justiça de Bolsonaro].”

O ex-ministro de Bolsonaro assumiu o principal cargo da segurança do DF no dia 2 e no dia 6 de janeiro saiu de férias para os Estados Unidos onde se encontrava o ex-presidente. Ao menos sete coronéis da PM também estavam de férias em 8 de janeiro.

Por conta da omissão, um dia após a tentativa de golpe, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão de Torres, Naime e do ex-comandante-geral da PM Fábio Augusto Vieira. O coronel Naime é o único que continua preso.

“Ou seja, um cenário claro de omissão do comando da Polícia Militar do DF, porque a inteligência informou. Aqui há também uma informação do senhor Marcelo Casimiro Vasconcelos [comandante do 1º Comando de Policiamento Regional da PM], que informa que a abertura da Esplanada dos Ministérios veio do coronel Paulo José”, observou Jandira.

O coronel Paulo José estava como interino do Departamento de Operações (DOP) da PMDF em substituição a Naime, que foi acionado no dia 8 para voltar ao comando.

Plenário da CPMI durante depoimento do coronel Naime (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

Escolta

“Quem estava vindo do acampamento, se deslocando pela Esplanada, algumas pessoas armadas, com rádio de comunicação, preparando uma tentativa de golpe, cabia à Polícia Militar fazer não a escolta mas o acompanhamento para eventualmente poder agir”, lembrou o deputado Rubens Pereira Jr. (PT-MA).

Apesar dos avisos, foi escalado para comandar a segurança da Esplanada o inexperiente major Flávio Alencar, mais tarde preso também por ter sido flagrado por câmeras de segurança facilitando acesso dos golpistas ao prédio do STF.

“Sabe quando cessou essa situação de ilegalidade? Sabe quando? Somente após a decretação da intervenção federal. Somente após o presidente Lula assinar o decreto de intervenção federal, nomeando Ricardo Cappelli, e ele tomando a frente para garantir a desocupação dos prédios públicos, foi que cessou a omissão no sistema de segurança”, disse o deputado.

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