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As luzes no cinema

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As luzes no cinema
Um dia desses fomos assistir um filme no cinema, o filme nem havia começado quando ouço uma voz vindo da cadeira vizinha.
——- A luz está atrapalhando.
Minha vizinha de cadeira estava se referindo a lanterna do celular que eu ligara para organizar o lanche do meu filho. Não acreditando no que acabara de ouvir, afinal havia acabado de ligá-la, respondi instantaneamente.
——- Acabei de ligar.
A cinéfila que não queria perder os anúncios e nem os trailers, nada respondeu.
Terminada a tarefa que havia planejado de fazer, desliguei a lanterna do celular já refletindo em como o ser humano perdeu a capacidade de ser paciente com o seu próximo.
Passados alguns minutos, meu filho disse:
——- Mamãe, a mulher está com o celular ligado.
Olhei e percebi que a mesma vizinha de outrora estava agora a tirar selfies, no entanto, percebi que ela manuseava o celular com uma certa cautela, posicionando-o junto ao seu peito no intuito de não atrapalhar ninguém. O cuidado percebido no manuseio do celular, fez com que aquele episódio não merecesse nenhuma atenção da minha parte. Respondi rapidamente para o meu filho.
——- Deixa ela para lá.
Fiquei refle􀆟ndo que mesmo que o celular daquela senhora estivesse me atrapalhando tenho certeza que relevaria, uma vez que, seria por poucos segundos ou minutos.
O filme começou e não houve mais atritos no decorrer do filme, inclusive liguei o celular algumas vezes e não fui reprovada novamente.
Como ser humano, aprendemos o tempo todo. Talvez, aquela mulher tenha aprendido, naquele dia, que nem sempre precisamos chamar a atenção de alguém, que não deveríamos dar tanta importância para pequenas coisas e que nem sempre nosso ponto de vista precisa ser defendido, talvez. Até por precaução, devemos relevar algumas coisas já que, às vezes podemos perder mais do que ganhar ao tentar impor nossas ideias e caprichos.
Fica a dica: Se é algo que não te prejudicará profundamente e que possa ser relevado, porque não relevar?