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Em interrogatório no Supremo, Anderson Torres confirma existência de minuta golpista

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Em interrogatório no Supremo, Anderson Torres confirma existência de minuta golpista

Documento foi encontrado na casa do ex-ministro de Bolsonaro e pretendia concretizar a prisão de autoridades e anular à força das eleições vencidas pelo presidente Lula

Gustavo Moreno / STF

Anderson Torres é um dos réus apontados como integrantes da cúpula de uma organização criminosa criada para tentar impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva

O ex-ministro Anderson Torres, que ocupou a pasta da Justiça na gestão de Jair Bolsonaro, confirmou a existência de uma minuta golpista. O documento foi encontrado pela Polícia Federal no celular de Torres e também em uma sala do Partido Liberal, em Brasília. A confirmação ocorreu durante audiência realizada no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira.

Anderson Torres é um dos réus apontados como integrantes da cúpula de uma organização criminosa criada para tentar impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice, Geraldo Alckmin. “Eu levava duas pastas pra minha residência, uma delas contendo a agenda do dia seguinte, eventuais minutas de discurso, coisas nesse sentido, e outra com documentos gerais que vinham no Ministério”, disse Torres ao ser questionado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal que investiga o caso.

A minuta golpista foi descoberta durante as investigações sobre a organização criminosa criada para operacionalizar o golpe. Bolsonaro, militares e outros envolvidos tramaram para tentar impedir a posse do presidente Lula que ocorreria em janeiro de 2023. A tentativa era de prender autoridades, anular o resultado das eleições e fazer o Brasil mergulhar em uma ditadura como a que foi instaurada em 1964 e acabou com direitos individuais e coletivos, atacou a liberdade de expressão e torturou e matou quem se opunha ao regime ditatorial.

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“Eu realmente nem me lembrava dessa minuta. Me lembrei quando foi apreendido pela Polícia Federal. Foi uma surpresa. O senhor, não sei se estava acompanhando, mas isso era voz corrente na Esplanada dos Ministérios”, afirmou o ex-ministro sobre o documento que iria concretizar o golpe.

Em uma tentativa frustrada de se passar por inocente e minimizar a grave ameaça que a democracia sofreu entre 2022 e no começo de 2023, Anderson Torres alegou que o documento foi produzido por sua assessoria e disse que não discutiu o tema com outras pessoas.

“Eu nunca tratei isso com ninguém, isso veio até o meu gabinete do Ministério da Justiça, organizado pela minha assessoria, isso veio num envelope dentro, foi parar na minha casa, mas eu nunca discuti esse assunto, eu nunca trouxe isso à tona, isso foi uma fatalidade que aconteceu”, declarou.

Denúncia

Apesar das alegações inconsistentes, Anderson Torres é apontado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como peça chave da tentativa de golpe, que beneficiaria Bolsonaro. No dia 8 de janeiro, quando as sedes dos Três Poderes sofreram um atentados, Torres era secretário de Segurança Pública do Distrito Federal.

Ele era responsável pela proteção da Esplanada e da capital federal. Porém, permitiu atos antidemocráticos, inclusive com acampamento com milhares de pessoas em frente ao Quartel-General do Exército. Além disso, sob seu comando, a Polícia Militar manteve policiais inexperientes, portando apenas cassetete e spray de pimenta para tentar conter uma multidão de golpistas que tentariam minar o regime democrático.

Da Redação