Massacre da fome: israelenses matam palestinos em busca de comida em Gaza
Massacre da fome: israelenses matam palestinos em busca de comida em Gaza
Veículos de imprensa estimam de 67 a 115 mortos só neste domingo em área onde um comboio da ONU cruzava a fronteira com Israel
Publicado pelo Portal Vermelho
Gaza 20/07/2025 Em meio à contínua agressão e cerco imposto pelo regime israelense contra o povo palestino que vive na Faixa de Gaza, 19 pessoas perderam a vida devido à fome em um único dia. Foto IRNAA crise humanitária na Faixa de Gaza atingiu níveis alarmantes neste domingo (20), após pelo menos 67 palestinos serem mortos por tiros disparados durante a espera por ajuda alimentar. A maioria das vítimas foi registrada no norte do território, nas proximidades da passagem de Zikim, onde um comboio humanitário de 25 caminhões da ONU havia acabado de cruzar a fronteira com Israel.
O massacre se soma a uma longa sequência de episódios semelhantes nas últimas semanas e ressalta a escalada do desespero e da violência em uma região devastada pela guerra, fome e colapso total dos serviços civis. A ONU e organizações de ajuda humanitária denunciaram os ataques como “completamente inaceitáveis”, cobrando o fim imediato dos disparos contra civis que tentam, desesperadamente, obter comida.
O que aconteceu
De acordo com o Programa Mundial de Alimentos (PMA), o comboio com 25 caminhões carregados com suprimentos básicos enfrentou uma multidão de civis famintos logo após cruzar o último posto de controle israelense. À medida que se aproximava da distribuição, os civis foram alvo de tiros de tanques e atiradores de elite israelenses. Testemunhas descrevem cenas de pânico e carnificina.
“O comboio encontrou grandes multidões de civis aguardando ansiosamente por comida. À medida que se aproximava, a multidão foi atingida por disparos de tanques e franco-atiradores”, informou o PMA.
As Forças de Defesa de Israel (IDF), por sua vez, afirmaram que soldados “dispararam tiros de advertência para eliminar uma ameaça imediata”, sem fornecer provas da existência dessa ameaça. A versão é contestada por sobreviventes, ONGs e pela ONU, que alertaram para o agravamento da fome e do colapso da segurança em torno das missões humanitárias.
Números da tragédia
O Ministério da Saúde de Gaza informou que ao menos 93 pessoas foram mortas por disparos israelenses somente no domingo: 79 no norte de Gaza, 9 em Rafah e 4 em Khan Younis. Além disso, 19 palestinos morreram por inanição nas últimas 24 horas, enquanto o número de crianças que morreram de desnutrição já ultrapassa 70 desde o início da guerra, em outubro de 2023.
“Centenas de pessoas estão em risco de morte iminente devido à fome. Seus corpos foram consumidos pela desnutrição. É um colapso total da dignidade humana”, afirmou um porta-voz do ministério.
Fome como arma de guerra
Organizações internacionais vêm alertando que a fome está sendo usada como arma. A ONU denuncia a atuação da Fundação Humanitária de Gaza (GHF), apoiada por Israel e EUA, que utiliza empresas de segurança privada para distribuir alimentos em zonas militares israelenses. Desde maio, quase mil palestinos foram mortos nos arredores desses centros.
“O bloqueio israelense desde março impede que suprimentos entrem no enclave. Há comida do outro lado da fronteira, mas civis estão morrendo a poucos quilômetros de distância dela”, disse Philippe Lazzarini, chefe da UNRWA, braço da ONU para refugiados palestinos.
Deslocamento e novos alertas
No mesmo domingo, o exército israelense emitiu ordens de evacuação para áreas lotadas do centro de Gaza, incluindo partes de Deir al-Balah, levantando temores de nova ofensiva terrestre. Panfletos lançados do céu geraram pânico entre as dezenas de milhares de deslocados que já vivem em tendas e ruínas.
A suspeita, segundo fontes israelenses, é que o Hamas ainda mantenha reféns vivos nessas regiões. A guerra, que começou após os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, já matou mais de 58.000 palestinos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza – números citados pela própria ONU como os mais confiáveis disponíveis.
Reações e apelo internacional
O Papa Leão XIV condenou a violência e pediu o “fim imediato da barbárie da guerra”. Nos EUA, o Conselho de Relações Americano-Islâmicas (CAIR) acusou o governo americano de cumplicidade diante do uso da fome como arma.
“Os governos ocidentais estão assistindo, em tempo real, ao genocídio de civis inocentes e optam por não fazer nada. A história lembrará essa indiferença com vergonha”, afirmou Nihad Awad, diretor do CAIR.
O que está em jogo
Com cerca de 2 milhões de pessoas deslocadas, a Faixa de Gaza se encontra em colapso completo. A comunidade internacional enfrenta crescente pressão para forçar um cessar-fogo, abrir corredores humanitários e permitir o fluxo pleno de ajuda.
Sem uma resposta imediata, Gaza pode enfrentar uma catástrofe humanitária sem precedentes no século 21 – com fome, sede, doenças e violência se alimentando mutuamente em um ciclo de destruição, diante dos olhos do mundo.
Com informações de Aljazira, BBC, AFP e agências da ONU
