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Financial Times: Trump age como ‘imperador do Brasil’ e favorece Lula

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Financial Times: Trump age como ‘imperador do Brasil’ e favorece Lula

 

Artigo do jornal britânico afirma que tarifas de Trump contra o Brasil são ilógicas, atacam a democracia e acabam fortalecendo Lula em vez de ajudar Bolsonaro

 

Donald Trump durante discurso: jornal britânico afirma que política de tarifas contra o Brasil é incoerente e fortalece Lula, não Bolsonaro. Foto: Reprodução

O jornal britânico Financial Times publicou nesta terça-feira (22) um artigo com duras críticas à política tarifária de Donald Trump contra o Brasil. Intitulado “Trump, imperador do Brasil”, o texto afirma que o presidente dos Estados Unidos está usando sua autoridade para punir uma democracia parceira e interferir em seu sistema judicial — o que, paradoxalmente, termina por beneficiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Assinado pelo colunista Edward Luce, o artigo denuncia a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros como parte de um padrão mais amplo de “promoção da autocracia” por parte de Trump.

Para o autor, ao tentar proteger Jair Bolsonaro do julgamento por sua tentativa de golpe em 2023, o governo norte-americano acaba atacando a independência da Justiça brasileira.

“Trump foi eleito para ser presidente dos EUA, não imperador do mundo”, escreveu Luce, que também critica a atuação do secretário de Estado Marco Rubio, responsável pela revogação do visto do ministro do STF Alexandre de Moraes.

Segundo o colunista, a retaliação contra Moraes simboliza a escolha de Washington por apoiar autocratas, em vez de defender a democracia.

Luce afirma que o governo dos EUA está “punindo o sistema legal de uma democracia-irmã por aplicar a lei”. A crítica se refere à retaliação contra o julgamento de Bolsonaro, acusado de incentivar a invasão golpista de Brasília em 8 de janeiro de 2023, dias após a posse de Lula.

Segundo o artigo, Marco Rubio ordenou que diplomatas americanos “evitassem comentar sobre a legitimidade de processos eleitorais” em outros países — um gesto que, segundo Luce, marca a retirada dos EUA como referência democrática. “Hoje, os faróis liberais democráticos da região são Brasília e Ottawa. Por ora, Washington está fora”, afirmou o colunista.

A crítica se estende à relação de Trump com líderes que o colunista classifica como autoritários. Mesmo com um déficit comercial com a Turquia, por exemplo, o republicano impôs apenas 10% de tarifas ao país, cujo presidente Recep Tayyip Erdoğan tem prendido prefeitos da oposição e restringido liberdades democráticas. Para Trump, diz Luce, isso não é um problema: “Homens durões o agradam.”

Tarifas são ilógicas e fortalecem Lula

Na avaliação do Financial Times, as tarifas contra o Brasil não fazem sentido nem mesmo do ponto de vista econômico. Os EUA têm superávit na balança comercial com o país, o que, segundo a lógica mercantilista de Trump, deveria isentar o Brasil das medidas.

Ainda que o objetivo fosse político, como ajudar Bolsonaro, o tiro também sai pela culatra: os setores mais atingidos pelas tarifas seriam os pecuaristas e exportadores de café, tradicionais redutos bolsonaristas. “Trump está, portanto, ajudando Lula, não Bolsonaro”, escreveu o colunista. “Não é surpresa que a sorte de Lula tenha sido recuperada.”

Ao ironizar que uma guerra comercial iniciada por Trump se tornou solução para a baixa popularidade de líderes estrangeiros, Luce cita exemplos de Lula, do australiano Anthony Albanese e do canadense Mark Carney. “Poucas coisas unem os eleitores em torno da bandeira mais rápido do que um ataque de uma superpotência às suas receitas”, afirma.

Crítica interna à política comercial de Trump

O colunista conclui que a maior incoerência pode estar entre os próprios conselheiros protecionistas do ex-presidente americano. Segundo ele, tarifas deveriam ser usadas para fortalecer a indústria interna dos EUA, mas estão sendo instrumentalizadas para os caprichos pessoais de Trump.

“Trump está atrapalhando sua própria agenda. E, olha, homens durões o agradam”, resume Luce. O artigo destaca a imprevisibilidade como marca do ex-presidente, mas sustenta que, neste caso, o padrão é claro: favorecimento de autocratas e punição a quem defende o Estado de Direito.

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