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The Economist critica sanções dos EUA a Moraes e vê “tiro no pé”

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The Economist critica sanções dos EUA a Moraes e vê “tiro no pé”

 

A revista The Economist classificou como um “ataque sem precedentes” as sanções impostas pelos Estados Unidos ao ministro Alexandre de Moraes, do STF

 

(Foto: Gustavo Moreno/SCO/STF)

Em editorial publicado nesta quinta-feira (31), a publicação britânica afirma que a decisão do governo Donald Trump pode representar um “tiro no pé” e ressalta que o uso da Lei Global Magnitsky para punir o magistrado brasileiro não encontra paralelo na diplomacia recente dos EUA com democracias.

“Alvejar um juiz em exercício de um país democrático funcional é algo sem precedentes”, diz o texto.

As sanções foram formalizadas no mesmo dia em que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, publicou na rede X uma mensagem ameaçando Alexandre de Moraes. “Que isso sirva de aviso àqueles que pisoteiam os direitos fundamentais de seus compatriotas”, publicou.

A medida congela bens de Moraes em instituições financeiras americanas e proíbe sua entrada nos Estados Unidos.

A revista destaca que essa legislação tem sido usada para punir “generais genocidas de Mianmar e autoridades russas envolvidas no assassinato de dissidentes políticos”, o que, segundo o editorial, não se aplica de forma alguma ao caso de Moraes.

O editorial lembra que, logo após o anúncio das sanções, Donald Trump assinou um decreto impondo tarifas de 50% sobre diversas importações brasileiras, com início previsto para 6 de agosto.

No texto do decreto, o ex-presidente cita “perseguição política motivada, intimidação, assédio, censura e processos” contra Bolsonaro, mas não faz qualquer menção a desequilíbrios comerciais — argumento habitualmente usado em medidas tarifárias. “Talvez porque o Brasil mantenha déficit com os Estados Unidos”, observa a revista.

Para a publicação, as medidas escancaram o uso político da política externa norte-americana sob Trump, cuja motivação central seria proteger seu aliado ideológico, Jair Bolsonaro.

Economist vê com preocupação o fato de Rubio, Trump e o secretário do Tesouro, Scott Bessent, estarem tentando usar “a máquina estatal dos EUA para pressionar a Justiça brasileira” a abandonar o processo contra o ex-presidente.

Publicação detalha os fatos que embasam o julgamento de Bolsonaro

Ao rebater a tese de perseguição política, o editorial lembra que os fatos que embasam o julgamento de Bolsonaro são públicos e documentados.

“Aqueles que criticam a atuação de Moraes contra Bolsonaro parecem ignorar as provas reunidas no processo”, afirma. A revista cita o ataque às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023 como resposta às falsas alegações de fraude eleitoral disseminadas por Bolsonaro, e destaca a tentativa da extrema direita de reescrever o episódio.

Economist ironiza declarações do senador bolsonarista Rogério Marinho, que descreveu o episódio como “feito por senhoras, com bíblias, com flores, com bandeiras, por idosos, por crianças, sem tanques, sem líderes, num domingo”.

“Uma simples busca mostra que o episódio foi uma orgia de vandalismo”, contesta a revista.

O editorial lembra ainda que, em 12 de dezembro de 2022, dia da certificação da vitória de Lula, apoiadores de Bolsonaro incendiaram veículos em Brasília. Na véspera do Natal, um homem tentou explodir um caminhão-tanque no aeroporto da capital.

Segundo a Polícia Federal, o então subchefe de gabinete de Bolsonaro, Mario Fernandes, elaborou um plano para assassinar Moraes, Lula e o vice-presidente antes da posse. O plano detalhava armas, granadas e até agentes químicos para matar Lula no hospital.

Fernandes admitiu ser o autor do documento, mas alegou que se tratava de um “exercício de análise de risco”.

Na reta final do editorial, a revista alerta que a estratégia de Trump pode ter efeito oposto ao desejado. “Seu uso inédito da Lei Magnitsky pode sair pela culatra”, afirma.

A publicação observa que Lula tem se aproveitado da escalada norte-americana para enquadrar Bolsonaro e seus aliados como “traidores”, discurso que encontra respaldo na maioria da população brasileira.

A revista ressalta ainda que Moraes, alvo de ameaças de morte desde 2019, não se deixa intimidar. “No dia em que as sanções foram anunciadas, ele voou a São Paulo para assistir ao jogo de seu time de futebol no estádio”, relata o texto.

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