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Jornalista brasileira ameaçada em Portugal expõe violência da extrema direita

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Jornalista brasileira ameaçada em Portugal expõe violência da extrema direita

 

Extremista oferece recompensa milionária e transforma Stefani Costa em alvo, revelando clima de ódio contra brasileiros e ataque direto à liberdade de imprensa

 

A jornalista Stefani Costa | Foto: Arquivo Pessoal

A correspondente Stefani Costa, do Ópera Mundi, tornou-se alvo de mais uma escalada de violência da extrema direita em Portugal. Um militante identificado como Bruno Silva ofereceu publicamente um apartamento avaliado em 300 mil euros a quem promovesse um massacre contra brasileiros e um “bônus” de 100 mil euros a quem entregasse a cabeça da repórter.

A gravidade do episódio mostra como discursos de ódio, xenofobia e racismo têm sido normalizados nas redes sociais. Stefani, que já havia sido ameaçada pelo mesmo indivíduo em 2024 quando recebeu uma foto dele exibindo armas, denunciou o caso ao Ministério Público, que abriu um inquérito sob segredo de Justiça. No entanto, as investigações seguem em ritmo lento, dificultadas pela falta de cooperação das plataformas digitais em identificar perfis extremistas. “Já prestei vários depoimentos, mas o caso está andando bem devagar”, afirmou.

Post na rede X feito por extremista Bruno Silva com ameaça a brasileiros e, em especial, à jornalista Stefani Costa | Foto: Reprodução/ Redes sociais

Liberdade de imprensa sob ataque

Apesar das intimidações, a jornalista afirma que não irá se calar: “Acredito ser fundamental expor essa situação, pois ela representa também uma afronta ao exercício do jornalismo e à liberdade de imprensa”, declarou. Para ela, o caso não é apenas um ataque individual, mas uma ameaça coletiva que exige resposta firme. “Quando esse tipo de ameaça é normalizado, todos se tornam reféns. É importante que os brasileiros se organizem e cobrem das autoridades portuguesas medidas concretas contra a xenofobia e o racismo”, acrescentou.

Stefani também pediu mobilização do governo brasileiro, lembrando que imigrantes como ela construíram vidas em Portugal: “Contribuímos para o desenvolvimento de Portugal e fazemos parte da sociedade. Por isso, merecemos ser tratados com respeito e dignidade”, reforçou.

Reações e investigações

O caso gerou manifestações de repúdio. A Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal (AIEP) condenou as ameaças e exigiu rigor das autoridades. A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) também se posicionou em solidariedade à repórter. Organismos como o Observatório Europeu dos Meios de Comunicação Digitais (EDMO) já haviam alertado que Portugal se tornou epicentro europeu de fake news ligadas à imigração, o que tem alimentado a violência xenófoba.

O presidente Marcelo Rebelo de Sousa foi informado oficialmente sobre o caso. A expectativa é que o episódio pressione o governo português a endurecer medidas contra extremistas de direita que utilizam as redes para incitar violência. Segundo o advogado da jornalista, o autor do perfil investigado nas redes sociais reside em Vila Real, no Norte do país.

O caso de Stefani revela a urgência de uma resposta firme do Estado português contra crimes de ódio e ataques à imprensa. Defender a vida de jornalistas e imigrantes é também defender a democracia.

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com informações de agências

 

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