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Bloqueio a Cuba já causa perdas de US$ 2,1 tri e sufoca gerações

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Bloqueio a Cuba já causa perdas de US$ 2,1 tri e sufoca gerações

 

Sem embargos americanos, o Produto Interno Bruto cubano teria crescido 9,2% – uma das maiores taxas do hemisfério

 

Ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodriguez, na ONU

O bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba há mais de seis décadas voltou ao centro do debate internacional. Em relatório atual apresentado na última quarta-feira (17) pelo chanceler Bruno Rodríguez Parrilla, o Ministério das Relações Exteriores (MINREX) detalha os impactos devastadores dessa política imperialista, que não apenas estrangula a economia cubana, mas aprofunda o sofrimento humano de um povo que já nasceu sob restrições arbitrárias.

De acordo com o documento, as perdas entre março de 2024 e fevereiro de 2025 chegaram a US$ 7,556 bilhões – um salto de 49% em relação ao período anterior. Preparado para o debate na Assembleia Geral da ONU sobre a resolução “Necessidade de pôr fim ao bloqueio” em 28 e 29 de outubro, o relatório revela danos totais, desde 1962, de US$ 170,677 bilhões, ou US$ 2,103 trilhões ajustados à valorização do ouro. “É impossível traduzir em cifras a dor e a privação que essa política impõe às famílias cubanas”, afirmou Rodríguez Parrilla diante do corpo diplomático em Havana. “Isso já acontece há várias gerações; mais de 80% dos cubanos nasceram depois do início do bloqueio”, denunciou.

O custo humano de uma política obsoleta

Os números são eloquentes: sem o bloqueio, o Produto Interno Bruto cubano teria crescido 9,2% – uma das maiores taxas do hemisfério. Setores estratégicos como exportações, comércio exterior, telecomunicações e saúde sofrem prejuízos bilionários. O relatório mostra que dois meses de perdas bastariam para garantir combustível ou a cesta básica anual de toda a população; em apenas 14 horas, o valor desperdiçado cobriria a insulina de todos os diabéticos do país.

Além de privar a ilha de recursos, Washington ainda persegue as ações de cooperação médica dos cubanos, restringe acesso a medicamentos de ponta e bloqueia transações financeiras – em 2024, 40 bancos internacionais se recusaram a operar com Cuba, enquanto 140 transferências foram rejeitadas. A lista de obstáculos cresceu nos últimos anos com a arbitrária reinclusão de Cuba na lista de países “patrocinadores do terrorismo” e a ativação do Título III da Lei Helms-Burton, que intimida empresas estrangeiras sob ameaça de sanções judiciais.

Retrocessos diplomáticos e perseguição econômica

Se a era Obama (2014-2017) sinalizou a possibilidade de aproximação, os anos seguintes foram marcados por retrocessos. Donald Trump reverteu os avanços, reinstaurando restrições a viagens, travando acordos energéticos e impondo novas barreiras ao turismo e ao comércio. Sob sua política de “máxima pressão”, a perseguição econômica voltou a ganhar centralidade, estratégia agora reforçada pelo memorando presidencial de julho de 2025.

Estudos independentes americanos e europeus confirmam a dimensão do desastre. A Escola de Direito de Columbia calcula que o bloqueio retira de 1 a 2 pontos percentuais anuais do crescimento cubano. Já a European Economic Review expôs os efeitos extraterritoriais que isolam a ilha do comércio internacional. Para a ONU, trata-se de uma clara violação da Carta das Nações Unidas e um entrave direto aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

O mundo diz não ao bloqueio

O clamor internacional é praticamente unânime. Nas últimas resoluções da Assembleia Geral da ONU, até 187 países votaram pelo fim da política hostil, classificando-a como “imoral” e “contrária ao direito internacional”. Organizações regionais como a CELAC e a CARICOM também reafirmaram solidariedade, enquanto a União Europeia tem condenado publicamente os efeitos extraterritoriais do embargo.

Apesar da brutalidade das sanções, Cuba segue de pé. “O bloqueio não nos fará renunciar à nossa Revolução nem ao socialismo”, reafirmou Rodríguez Parrilla. A resiliência, expressa em milhares de iniciativas populares e no apoio de governos e movimentos ao redor do mundo, reforça a convicção de que o embargo é um resquício da Guerra Fria, sem lugar no presente. Mais de duas mil mobilizações em 2024 enviaram uma mensagem clara: a soberania de Cuba não está à venda.