Reginaldo Nasser: Israel leva ao limite lógica colonial de limpeza étnica
Reginaldo Nasser: Israel leva ao limite lógica colonial de limpeza étnica
Professor da PUC-SP disse no Entrelinhas Vermelhas que Gaza sintetiza as lutas globais e se tornou laboratório de práticas coloniais do Ocidente
Publicado pelo Portal Vermelho
Gaza/Palestina – 07/11/2024 -Israel continua os seus ataques em diversas áreas da Faixa de Gaza, particularmente no campo de Nur Shams em Tulkarm e nos bairros oriental e ocidental da Cidade de Gaza. Foto: Iria/Fotos PúblicasO professor Reginaldo Nasser, da PUC-SP, afirmou que a ofensiva israelense em Gaza deve ser compreendida como desdobramento de um processo histórico de “colonialismo por povoamento”, agora levado ao limite na forma de genocídio.
Em entrevista ao Entrelinhas Vermelhas, o analista destacou que “o que fizeram em 1948 com a limpeza étnica, agora fazem com o genocídio”. Ele avaliou que a Faixa de Gaza se tornou “um laboratório de práticas coloniais apoiadas pelo Ocidente”.
Segundo Nasser, a ofensiva israelense é sustentada pela ausência de qualquer poder capaz de conter Tel Aviv.
“Se eu não tenho um outro poder que o contrasta, que o equilibra, se eu não tenho nenhum outro poder que o iniba, ele [Israel] vai pra cima. E Israel tem o apoio irrestrito dos Estados Unidos, em qualquer circunstância”, afirmou.
Para ele, o quadro atual se distingue por uma relação de forças “sui generis”, na qual a Palestina não dispõe de aliados militares ou estratégicos capazes de impor limites à destruição.
O professor recordou ainda declarações de ministros israelenses que classificaram palestinos como “animais que devem ser extintos”, apontando que esse discurso racista é parte integrante da lógica colonial.
Ele ressaltou que a desumanização do povo palestino está documentada inclusive em processos judiciais internacionais. “São dirigentes importantes que induzem, que provocam, que dão a senha para fazer o extermínio. Isso é material fartamente registrado”, disse.
Ao analisar as reações internacionais, Nasser afirmou que o genocídio em Gaza coincide com um “despertar da consciência” em países que apoiam Israel, com protestos massivos em cidades como Roma, Paris e Sydney.
No entanto, ele alertou que esse movimento ainda não se traduz em mudanças concretas de política externa.
“Apoiar a Palestina dá custo. Apoiar Israel dá lucro. A luta é árdua, mas o BDS [Boicote, Desinvestimento e Sanções] é um caminho importante que a gente deve continuar lutando”, disse, referindo-se ao movimento global de boicote ao regime sionista.
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