China protege suas terras raras contra os interesses e ameaças dos EUA
China protege suas terras raras contra os interesses e ameaças dos EUA
Com quase a metade das terras raras do mundo, essenciais para a indústria bélica e de tecnologia, os chineses ampliaram o controle sobre elas enquanto Trump ameaça com tarifaço
Publicado pelo portal Vermelho
Foto: XinhuaA China apresentou sua defesa sobre o anúncio de que aumentaria o controle sobre as terras raras que possui. O porta-voz do Ministério do Comércio chinês, Lin Jian, veio a público no domingo (12) explicar a ação do governo e pediu que os Estados Unidos respeitem a decisão, após o presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçar o país com o retorno da taxação de 100% sobre os produtos importados.
De acordo com Jian, “os controles de exportação da China não são proibições de exportação”. O porta-voz afirmou que as nações com negócios com seu país foram avisadas sobre o aumento dos mecanismos de controle antes mesmo do anúncio. A iniciativa, como aponta, tem como finalidade aumentar a segurança e estabilidade das cadeias de suprimentos globais.
Ao tomar conhecimento sobre a decisão chinesa, Trump publicou na sua rede social que colocaria tarifas adicionais de 100% sobre os produtos do gigante asiático a partir de 1º de novembro.
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Este é mais um capítulo da disputa comercial travada pelo presidente dos EUA, que coloca fim a uma trégua que data de agosto. Naquele mês, a diplomacia dos dois países chegou a um acordo que reduziu a tarifa de 145% sobre produtos chineses para 30%, enquanto a tarifa sobre os produtos dos EUA exportados para a China foi de 125% para 10% e permitiu a continuidade da relação comercial.
Agora, com a possibilidade de um aumento de 30% para 100%, os negociadores precisarão entrar novamente em campo, pois uma tarifa dessa ordem inviabiliza o comércio bilateral.
“Ameaças intencionais de altas tarifas não são a maneira certa de se dar bem com a China”, destacou Jian, ao ressaltar que seu país não quer uma guerra comercial, mas que “não tem medo dela”.
EUA no caminho errado
Além de maior controle sobre a exportação dos elementos encontrados nas terras raras a partir de dezembro, a China informou que, em 8 de novembro, também ampliará o controle de equipamentos exportados para a fabricação de baterias elétricas.
Segundo Jian, a China entende que os EUA devem administrar as diferenças por meio de diálogos e com base no respeito mútuo, mantendo a consulta econômica e comercial em pé de igualdade.
Como aponta, a China irá empregar os controles de exportação dentro da lei, adotando o princípio de defesa da paz mundial e estabilidade regional. As maiores restrições são no campo militar.
Dessa maneira, a medida não restringe o comércio, sendo que “todos os pedidos de exportação em conformidade com o uso civil podem obter aprovação […] as empresas relevantes não precisem se preocupar.”
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Segundo o porta-voz, o impacto “é muito limitado” e o país está disposto a fazer revisões, além de facilitar licenças para promover o “comércio legítimo”.
Quanto à ameaça tarifária de Trump, o porta-voz afirmou que os EUA abusam do controle de exportação, com ações discriminatórias contra a China por meio de medidas unilaterais em relação a vários produtos.
Como explica Jian, a lista de controle de comércio dos EUA tem mais de 3 mil itens chineses, enquanto o contrário é de somente 900, além de outras retaliações que atingem a indústria marítima, logística e de construção naval chinesa.
“Se os Estados Unidos insistirem em seguir o caminho errado, a China certamente tomará medidas resolutas para proteger seus direitos e interesses legítimos”, disse o porta-voz.
Na visão do governo chinês, explicou Lin Jian, as medidas do país são necessárias para manter os interesses legítimos das indústrias e empresas chinesas. Espera-se que os EUA retomem o caminho do diálogo, conclui.
Terras raras
A China possui cerca de metade das reservas de terras raras do mundo, uma quantidade de 44 milhões de toneladas de reservas, o que representa 49% do total mundial. O Brasil vem em segundo lugar, com cerca de 21 milhões de toneladas, 23%. Depois vem Índia (7,7%), Austrália (6,3%) e Rússia (4,2%). Já os Estados Unidos possuem uma reserva que representa apenas 1,9% de terras raras.
Mas além do domínio em quantidade, a China também detém o comando na produção e no refino, que chega a 90%, dos 17 elementos químicos encontrados nas terras raras: escândio (Sc), ítrio (Y), lantânio (La), cério (Ce), praseodímio (Pr), neodímio (Nd), promécio (Pm), samário (Sm), európio (Eu), gadolínio (Gd), térbio (Tb), disprósio (Dy), hólmio (Ho), érbio (Er), túlio (Tm), itérbio (Yb) e lutécio (Lu).
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Este maior controle é visto como uma ameaça pelos norte-americanos, pois atinge sua indústria bélica, dependente desses elementos para a produção de armamentos e aeronaves, bem como as big techs fabricantes de hardwares e de tecnologia, como Apple e Nvidia, que necessitam de chips e semicondutores baseados em elementos como disprósio, que têm 99% de produção na China. Isso sem contar toda a indústria que depende de ímãs, capacitores, motores e turbinas produzidos com esses elementos químicos.
*Com informações Xinhua
