Israel viola cessar-fogo e mata ao menos 11 palestinos em Gaza
Israel viola cessar-fogo e mata ao menos 11 palestinos em Gaza
Bombardeios ocorreram menos de uma semana após a trégua; Netanyahu diz que “a luta ainda não acabou” e ONU alerta para risco de colapso do acordo
Publicado pelo Portal Vermelho
Foto: ReproduçãoIsrael assassinou nesta quinta-feira (16) ao menos três palestinos em Gaza, em mais uma violação do cessar-fogo firmado há menos de uma semana.
As mortes foram confirmadas por fontes médicas e agências humanitárias, que alertaram para o risco de colapso da trégua. As ações, somadas a ataques e execuções registrados nos dias anteriores, desafiam diretamente o acordo mediado por Washington e tornam ainda mais frágil a perspectiva de paz.
As vítimas foram atingidas por bombardeios na Cidade de Gaza e em Khan Yunis, segundo o Centro de Direitos Humanos de Gaza.
Desde o início do cessar-fogo, o órgão contabiliza 36 violações israelenses, entre ataques aéreos, disparos e prisões arbitrárias. O total de mortos desde o início da guerra, em outubro de 2023, já ultrapassa 67,9 mil palestinos.
As denúncias desta quinta-feira se somam a episódios registrados nesta terça-feira (14) e quarta-feira (15), quando ao menos 11 palestinos foram mortos durante a trégua.
Em Shejaiya, bairro da Cidade de Gaza, três civis foram atingidos por um ataque aéreo israelense após se aproximarem de tropas militares.
O Exército alegou que os soldados “abriram fogo para eliminar a ameaça” e que as ações “respeitam os termos do cessar-fogo”. No norte de Gaza, outros dois palestinos foram baleados por supostamente cruzarem a “Linha Amarela”, criada por Israel para delimitar áreas sob seu controle militar.
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Os ataques ocorreram enquanto o governo israelense mantinha bloqueada a passagem de Rafah, principal ponto de entrada de ajuda humanitária. Israel acusou o Hamas de descumprir o acordo ao atrasar a entrega de corpos de reféns e anunciou a suspensão temporária dos comboios de alimentos e remédios.
O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, defendeu o bloqueio total da ajuda, dizendo que o Hamas “mente, engana e abusa das famílias e dos corpos” e que “esse terror nazista entende apenas a força”.
Em Jerusalém, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que “a luta ainda não acabou” e que Israel está “determinado a garantir o retorno de todos os reféns”.
O discurso foi interpretado como um sinal de endurecimento, num momento em que até aliados ocidentais pressionam Tel Aviv a manter o cessar-fogo. “Quem nos tocar saberá que pagará um preço muito alto”, disse Netanyahu durante uma cerimônia militar no Monte Herzl.
Enquanto isso, comboios de ajuda permanecem retidos no lado egípcio da fronteira, aguardando autorização para entrar em Gaza.
O alto funcionário da ONU para assuntos humanitários, Tom Fletcher, descreveu o território como um “deserto devastado” e pediu “verdadeira generosidade e acesso” da comunidade internacional para evitar o colapso da trégua.
“Precisamos de financiamento, precisamos de acesso e precisamos que este acordo de paz se sustente”, afirmou.
As novas mortes registradas, somadas às dos dias anteriores, reforçam a percepção de que Israel continua operando sob lógica de ocupação com máxima violência, mesmo em tempos de cessar-fogo.
Para organizações humanitárias, o comportamento militar israelense aprofunda a crise civil e mina as tentativas de reconstrução e diálogo. A ONU alertou que, se as violações persistirem, o acordo poderá ruir a qualquer momento, reacendendo uma guerra que já devastou completamente Gaza.
