Sem categoria

SUS é única opção de acesso à Saúde para mais de 160 milhões de brasileiros

Spread the love

SUS é única opção de acesso à Saúde para mais de 160 milhões de brasileiros

 

Maioria da população do Brasil conta exclusivamente com o sistema público para receber atendimento médico, enquanto a saúde privada avança nas regiões mais ricas do país

 

Foto-arquivo: Marcelo Camargo | Agência Brasil

Em um país marcado por desigualdades históricas, o Sistema Único de Saúde (SUS) permanece como a principal — e muitas vezes única — porta de entrada para cuidados médicos da maioria absoluta dos brasileiros. Criado há 35 anos, o SUS é hoje o maior sistema público e universal de saúde do mundo, responsável por acolher cerca de 160 milhões de pessoas no Brasil, o equivalente a 75,3% da população nacional.

Um estudo inédito da República.org, com base em dados do DataSUS, revela que apenas 52,77 milhões de brasileiros possuem planos de saúde privados. A cobertura suplementar, concentrada nas regiões Sul e Sudeste, contrasta com a realidade do Norte e Nordeste, onde mais de 80% da população depende exclusivamente do SUS. Em São Paulo, estado com maior cobertura privada, 59,9% da população depende do sistema público — o menor índice do país. Já em Roraima, 95,7% dos moradores não têm plano de saúde, configurando a maior taxa de dependência do SUS entre todas as unidades federativas.

Essas disparidades mostram que a medicina privada não consegue superar barreiras estruturais profundas, como baixa renda, infraestrutura precária, escassez de unidades de saúde e longas distâncias para atendimento. Embora esteja em expansão, a lógica do mercado não alcança o povo pobre. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em seu balanço, revela que a cobertura privada atinge aproximadamente 25% da população e está concentrada nas regiões mais ricas do país.

Profissionais: concentração e rotatividade

A desigualdade também se expressa na distribuição de médicos. A região Norte conta com apenas 1,7 médicos por mil habitantes, contra uma média nacional de 2,98. A concentração em capitais e regiões metropolitanas aprofunda o abismo entre os que têm e os que não têm acesso à saúde.

Mesmo com avanços como em programas Saúde da Família — que cobre 99% das regiões —, a rotatividade de profissionais compromete a continuidade do serviço. Em 2024, a taxa de desligamento chegou a 33,9% nas áreas mais vulneráveis.

Subfinanciamento crônico ameaça a universalização

O Sistema Único de Saúde, responsável por aproximadamente 2,8 bilhões de atendimentos anuais e sustentado por uma força de trabalho de 3,5 milhões de profissionais, enfrenta, apesar de sua ampla capilaridade e abrangência, um grave estrangulamento orçamentário. Em 2025, o Ministério da Saúde destinou R$ 246 bilhões ao SUS, o que corresponde a aproximadamente 8% das despesas primárias federais (ou pouco mais de 4% do orçamento federal total). Segundo a Instituição Fiscal Independente (IFI), os gastos projetados para a área — com crescimento médio de 3,9% ao ano — excedem o limite estabelecido pelo novo arcabouço fiscal, fixado em 2,5%. Diante do envelhecimento populacional e da crescente demanda por tecnologias médicas, o risco de colapso torna-se cada vez mais iminente.

Para manter-se como referência mundial em transplantes, com 30 mil procedimentos realizados em 2024, e com o maior programa de vacinação da América Latina, o SUS precisa ter assegurado receitas públicas.