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“Inépcia”, “falta de coordenação”: até o “Estadão” critica a ação de Cláudio Castro

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“Inépcia”, “falta de coordenação”: até o “Estadão” critica a ação de Cláudio Castro

 

Opinião do diário paulista admite fiasco da ofensiva no Complexo da Penha e condena a política de segurança do governo fluminense e defende estratégias baseadas em inteligência, como a Operação Carbono Oculto do governo federal

 

Foto: © Tomaz Silva | Agência Brasil

O editorial desta quinta-feira (30) do jornal O Estado de S. Paulo, conhecido por suas posições conservadoras, trata da operação policial no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, e apresenta uma crítica contundente à gestão de segurança pública do governo Cláudio Castro (PL-RJ). Mesmo atacando a operação dentro dos limites de uma visão liberal, que evita enfrentar as raízes estruturais da violência urbana, o Estadão não poupa o governador fluminense.

O texto reconhece o fracasso histórico do modelo de confronto armado como política de segurança, apontando que a operação resultou em mais de cem mortos, incluindo quatro policiais, e não capturou seu principal alvo. No entanto, ao se limitar à crítica da “inépcia” e da “falta de coordenação”, o jornal evita discutir o papel do Estado na perpetuação da lógica de guerra contra populações empobrecidas e racializadas.

O editorial denuncia indícios de execuções sumárias e a destruição de provas, mas não questiona a militarização das favelas nem o uso político da violência como instrumento de controle social. Ainda assim, contrapõe a ação desastrosa do governador fluminense à Operação Carbono Oculto, promovida pelo governo federal, como exemplo de sucesso — reforçando a ideia de que o combate ao crime deve se dar por meio de inteligência e articulação institucional.

Embora falte ao texto uma reflexão mais profunda sobre o papel das políticas neoliberais na degradação das condições de vida nas periferias, que alimentam o poder do crime organizado, ao criticar a tentativa de Cláudio Castro de responsabilizar o governo federal, o editorial acerta ao lembrar que a segurança pública é competência estadual.

O episódio da Penha é mais uma demonstração de que não há saída possível sem uma mudança radical na concepção de segurança pública.