Em meio à pressão dos EUA, Maduro apela por paz e denuncia ‘guerra criminosa’
Em meio à pressão dos EUA, Maduro apela por paz e denuncia ‘guerra criminosa’
Diante da presença militar americana no Caribe, presidente venezuelano conclama a população à vigilância, critica Washington e reforça discurso pacifista a seus apoiadores.
Publicado pelo Portal Vermelho
Nicolas Maduro | Foto: Ariana CubillosO presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, elevou o tom contra os Estados Unidos neste sábado (15), ao afirmar que o país enfrenta uma “guerra criminosa” promovida por Washington e ao pedir que a população mantenha vigilância diante do aumento da presença militar americana no Caribe. A declaração ocorreu enquanto o governo Donald Trump avalia opções para uma ação militar contra Caracas.
Em Petare, zona leste de Caracas, apoiadores se reuniram para ouvir Maduro acusar os EUA de ameaçarem a estabilidade regional. Segundo ele, os venezuelanos não aceitarão ser “escravos de gringos” e a maioria está “preparada para defender este país com honra e amor”. Em inglês, o líder chavista afirmou que o povo está nas ruas clamando por “paz”. “A força do país sempre será a do povo e não a dos oligarcas ou dos imperialistas”, disse.
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Maduro também condenou os exercícios militares anunciados pelos EUA em parceria com Trinidad e Tobago, que começam neste domingo (16), classificando-os como uma iniciativa “irresponsável”. “O povo de Trinidad e Tobago verá se eles continuarem permitindo que suas águas e terras sejam usadas para ameaçar gravemente a paz do Caribe”, declarou.
Oposição intensifica pressão e Maduro faz apelo musical por paz
Mais tarde, durante um ato oficial em Miranda, Maduro fez um novo apelo público por distensão, desta vez cantando Imagine, clássico pacifista de John Lennon. “Paz, paz, paz. Façam tudo pela paz. Como John Lennon costumava dizer. Alfred Nazareth, como era a música do John Lennon? Imaginem todas as pessoas”, afirmou, enquanto a canção ecoava pelos alto-falantes e apoiadores erguiam o sinal de paz.
A tensão crescente abriu espaço para reações da oposição. Em mensagem enviada de local não divulgado, a líder María Corina Machado convocou aliados do governo a romperem com o chavismo. “O clamor desta terra que exige liberdade cresce e ecoa dentro e fora do país. Trinta milhões de nós nos levantamos contra um regime criminoso que está em queda”, disse.
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Em áudio direcionado às Forças Armadas e aos órgãos de segurança, ela afirmou que “absolutamente ninguém precisa de um caminho de redenção” mais do que os apoiadores do governo: “A história, a lei e o povo venezuelano serão seus juízes”.
Machado pediu que militares abandonem o governo. “Seja um herói, não um criminoso. Seja motivo de orgulho e não de vergonha para sua família. Faça parte do futuro brilhante da Venezuela, não da ruína que a tirania criou à medida que este dia se aproxima.”
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A opositora, que se mantém escondida desde a eleição contestada do ano passado, elogiou a ampliação da pressão americana e acusou Maduro de transformar a Venezuela em “uma ameaça real à segurança nacional dos Estados Unidos”.
Enquanto Washington sustenta que sua mobilização militar visa combater o narcotráfico, Maduro insiste que a operação é uma tentativa de derrubá-lo — e alerta que o país está pronto para resistir.
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com informações da Reuters
