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Agentes comunitários conquistam vitória histórica em meio à disputa no Senado

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Agentes comunitários conquistam vitória histórica em meio à disputa no Senado

 

Com 57 votos favoráveis e nenhuma oposição, o Senado reconheceu a importância dos agentes comunitários para o sistema de saúde brasileiro

 

Foto: Lula Marques | Agência Brasil

Logo após a aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLP 185/2024) no Senado, que reduz o tempo de serviço dos agentes comunitários de saúde para a aposentadoria, a Confederação Nacional dos Agentes Comunitários de Saúde (CONACS) publicou nas redes sociais: “Hoje é um dia histórico para os Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Combate às Endemias. Celebramos a vitória da nossa luta por uma aposentadoria digna e justa, que reconhece o valor do nosso trabalho na linha de frente da saúde pública.”

Se aprovado pela Câmara dos Deputados, o PLP assegurará a cerca de 400 mil trabalhadores em todo o país o direito à aposentadoria especial, com integralidade dos salários e paridade de reajustes em relação aos servidores da ativa, a partir dos 50 anos para mulheres e 52 para homens. Após a sanção presidencial, estados e municípios terão o prazo de 120 dias para adequar seus regimes previdenciários às novas regras.

A eterna questão fiscal

A imprensa classificou a aprovação como uma “pauta-bomba” e a interpretou como retaliação de Davi Alcolumbre ao presidente Lula, após o governo não atender à demanda do presidente do Senado para indicar Rodrigo Pacheco ao Supremo Tribunal Federal. Lula optou por Jorge Messias, o que teria ampliado o atrito entre Senado e Planalto.

Leia:http: Jorge Messias terá duas semanas para buscar apoio do Senado ao STF

O direito à aposentadoria com salário integral e aceitação dos riscos da profissão implica aumento de despesas previdenciárias. Estimativas apontam impacto de R$ 24 a 25 bilhões nos próximos dez anos para a União e um déficit adicional de cerca de R$ 103 bilhões para os municípios em até 30 anos. Esses valores refletem a ampliação dos gastos, mas não representam risco imediato de desequilíbrio fiscal para Lula ou para o próximo mandato, já que os efeitos se acumulam ao longo das próximas décadas.

Apesar de ser usada como instrumento de pressão política, a medida valoriza os trabalhadores e garante dignidade a quem atua na linha de frente da saúde pública. Se há intenção de retaliação, o saldo político de Alcolumbre é menor do que o ganho justo dos agentes comunitários.