Trump evita acordo e mundo se torna refém de nova corrida nuclear
Trump evita acordo e mundo se torna refém de nova corrida nuclear
Expiração do New Start encerra pacto de controle entre EUA e Rússia e traz temor de “anarquia nuclear” entre superpotências; ONU alerta para riscos
Publicado pelo Portal Vermelho
UGM-133 Trident II (D5) é um míssil balístico intercontinental (ICBM) lançado por submarino, projetado para carregar ogivas nucleares múltiplas. Reprodução WikipediaO planeta amanheceu nesta quinta-feira (5) em um estado de incerteza estratégica sem precedentes desde o auge da Guerra Fria. Com a expiração oficial do Tratado de Redução de Armas Estratégicas (New Start), as duas maiores potências nucleares do mundo — Estados Unidos e Rússia — deixam de ter, pela primeira vez em 54 anos, limites e mecanismos de fiscalização sobre seus arsenais atômicos.
Rússia lamenta impasse; Trump mantém ambiguidade
O governo russo utilizou canais oficiais para expressar que lamenta profundamente o fim do pacto. Segundo o Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Moscou propôs formalmente manter os limites quantitativos por mais um ano para viabilizar novas negociações, mas a proposta de Vladimir Putin não obteve resposta substantiva de Washington.
Em contrapartida, o presidente Donald Trump criticou o tratado como sendo um “acordo mal negociado”, rejeitou a extensão como proposto por Putin e defendeu um novo tratado “melhorado e modernizado”.
Questionado sobre a expiração, Trump limitou-se a dizer: “Se expirar, expirou. Faremos um acordo melhor”. O plano norte-americano é condicionar um novo tratado à inclusão da China, proposta que Pequim rejeita por possuir um arsenal significativamente menor. Enquanto isso, o secretário de Estado, Marco Rubio, indicou que não há anúncios imediatos, deixando o futuro das relações nucleares no vácuo.
O risco de uma nova corrida armamentista
Analistas de segurança internacional alertam que já estamos vivendo o prelúdio de uma nova corrida por ogivas. Trump já sinalizou planos para aumentar a presença de artefatos nucleares em submarinos, focando na mobilidade e no poder de retaliação furtiva. Sem as 18 inspeções anuais in loco que o New Start garantia, o mundo perde a transparência, criando um “ponto cego” onde qualquer movimentação militar pode ser interpretada como um ataque iminente, elevando o risco de um conflito por erro de cálculo.
Arsenal atual é capaz de destruir o mundo mais de 100 vezes
Apesar da redução de ogivas desde os anos 1980, o poder de fogo atual é mais letal do que nunca. Estima-se que existam hoje cerca de 12.100 ogivas nucleares no mundo. Esse arsenal é suficiente para aniquilar a civilização humana mais de 100 vezes e causar um “inverno nuclear”, bloqueando a luz solar por anos e colapsando a produção global de alimentos.
Atualmente, o “Clube Nuclear” é composto por nove nações: Rússia (com o maior arsenal, cerca de 5.500 ogivas), Estados Unidos (5.000), China, França, Reino Unido, Paquistão, Índia, Israel (não declarado) e Coreia do Norte.
A reação global é de alarme
O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, classificou o momento como “muito grave”, destacando que a humanidade está a apenas um mal-entendido da aniquilação. Observatórios como a Federação de Cientistas Americanos (FAS) alertam que, sem o tratado, os EUA e a Rússia entram em uma era de “anarquia nuclear”, onde a contenção dá lugar à expansão tecnológica e quantitativa.
Para o Brasil e o Sul Global, que historicamente defendem o desarmamento multilateral, o cenário exige uma pressão diplomática renovada para que as superpotências retornem à mesa de negociações antes que a nova corrida armamentista se torne irreversível.
