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Ex-príncipe Andrew é preso no Reino Unido por desdobramentos do caso Epstein

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Ex-príncipe Andrew é preso no Reino Unido por desdobramentos do caso Epstein

 

Investigação apura suspeita de que Mountbatten-Windsor compartilhou material confidencial com Jeffrey Epstein quando atuava como enviado comercial

 

Rei Charles III e o então príncipe Andrew em cerimônia oficial; ex-integrante da família real foi preso nesta quinta-feira (19). Foto: Reprodução

A polícia britânica prendeu nesta quinta-feira (19) Andrew Mountbatten-Windsor, ex-membro da família real do Reino Unido, sob suspeita de má conduta no exercício de cargo público. A prisão ocorreu na residência onde ele se encontrava, em Sandringham, no condado de Norfolk.

Em comunicado, a Polícia do Vale do Tâmisa informou que “um homem na casa dos sessenta anos, residente em Norfolk, foi preso sob suspeita de má conduta no exercício de cargo público” e que buscas estão sendo realizadas em endereços nos condados de Berkshire e Norfolk.

Segundo a corporação, o detido permanece sob custódia policial. A polícia afirmou ainda que não divulgará formalmente o nome do preso, seguindo diretrizes nacionais, e alertou para a necessidade de cautela na cobertura do caso, uma vez que a investigação está em andamento.

Veículos descaracterizados e agentes à paisana foram vistos na manhã de quinta-feira na propriedade de Sandringham, onde o ex-príncipe estava hospedado. A prisão ocorreu no dia em que ele completou 66 anos.

De acordo com a Press Association, nem o rei nem o Palácio de Buckingham foram informados previamente sobre a ação policial.

Em declaração oficial, o rei Charles 3º afirmou ter recebido a notícia com “a mais profunda preocupação” e declarou que “a lei deve seguir seu curso”. No comunicado, o monarca disse que o caso será tratado por meio de um “processo completo, justo e adequado” e que as autoridades contam com o “total e irrestrito apoio e cooperação” da família real.

O rei acrescentou que não fará novos comentários enquanto o processo estiver em andamento.

Integrantes do governo britânico também se manifestaram. O primeiro-ministro, Keir Starmer, afirmou que “ninguém está acima da lei” e que a investigação deve ocorrer de acordo com os procedimentos usuais.

O vice-primeiro-ministro David Lammy declarou à BBC que o caso agora é uma investigação policial e deve seguir “o caminho normal”.

Segundo a Polícia do Vale do Tâmisa, a investigação apura alegações de compartilhamento de material confidencial durante o período em que Mountbatten-Windsor atuou como enviado comercial do Reino Unido.

As autoridades não divulgaram detalhes específicos sobre o conteúdo das informações sob análise. O chefe assistente da corporação, Oliver Wright, afirmou que a investigação foi aberta após uma “avaliação minuciosa” das alegações e ressaltou a importância de preservar “a integridade e a objetividade” do processo, diante do elevado interesse público.

O caso está relacionado a desdobramentos recentes envolvendo o financista norte-americano Jeffrey Epstein, após a divulgação parcial de documentos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Mountbatten-Windsor tem negado de forma reiterada qualquer irregularidade.

Após a prisão, a família de Virginia Giuffre — vítima do esquema de exploração sexual liderado pelo financista Jeffrey Epstein e uma das mulheres que denunciaram abusos envolvendo Andrew Mountbatten-Windsor — divulgou uma nota afirmando que o episódio demonstra que “ninguém está acima da lei — nem mesmo a realeza”.

No comunicado, os familiares agradeceram à polícia britânica pela investigação e pela prisão do ex-membro da família real.

Grupos da sociedade civil também reagiram. A organização Republic, que defende o fim da monarquia no Reino Unido, afirmou que vinha pressionando as autoridades para que o caso fosse investigado e declarou que continuará colaborando com informações relacionadas às alegações.

Mountbatten-Windsor deixou de exercer funções oficiais da monarquia após perder seus títulos e honrarias no fim de 2025, em meio às repercussões do caso Epstein. Ele permanece, no entanto, oitavo na linha de sucessão ao trono britânico.

Especialistas ouvidos pela imprensa local afirmam que o ex-membro da realeza pode permanecer detido por até 96 horas, mediante autorizações judiciais. Caso venha a ser condenado por má conduta no exercício de cargo público, a pena máxima prevista pela legislação britânica é de prisão perpétua.

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