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Irã vê negociações com EUA “inviáveis” após exclusão do Líbano

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Irã vê negociações com EUA “inviáveis” após exclusão do Líbano

 

Presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, denuncia violação da proposta de paz e critica Washington e Tel Aviv em manter a agressão contra território libanês

 

Ataques de Israel a conjuntos habitacionais em Beirute, na quarta-feira (8), deixam mais de 80 civis mortos e 200 ficaram feridos, informou a Cruz Vermelha – Reprodução: Redes Sociais

A possibilidade de uma saída diplomática para as agressões israelenses e norte-americanas contra o Irã,  no Oriente Médio, sofre revés nesta quarta-feira (8). O presidente do Parlamento do Irã (Majlis), Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que o diálogo com os Estados Unidos tornou-se “irracional e inviável”. O motivo central é a recusa de Trump e de Netanyahu em incluir o Líbano no acordo de cessar-fogo, violando os termos da proposta de 10 pontos apresentada por Teerã.

Em publicação no próprio perfil de rede social, Ghalibaf destacou que a exclusão do Líbano — tratado pelos EUA como um “conflito separado” — desmorona a premissa de um cessar-fogo abrangente. Além disso, o líder parlamentar citou a incursão de um drone no espaço aéreo iraniano e a persistente negação do direito soberano do país ao enriquecimento de urânio como provas da má-fé estadunidense.

A traição de Washington à proposta de 10 pontos

A proposta iraniana, formulada pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional, mediada pelo Paquistão e afiançada pela China preve  um cessar-fogo em todas as frentes de combate, incluindo explicitamente o Líbano e o Hezbollah, além do controle compartilhado do Estreito de Ormuz e o fim das sanções econômicas.

Embora Donald Trump tenha chegado a classificar o documento como uma “base viável”, a prática revelou a manutenção da política de agressão. Em entrevista à PBS, Trump desconsiderou a soberania libanesa ao afirmar que o país ficou de fora do acordo devido ao Hezbollah, referindo-se ao massacre em curso como um “confronto separado”. No mesmo tom, Netanyahu confirmou que as operações militares israelenses no Líbano não cessariam.

Operação “Eternal Darkness” e o massacre em Beirute

Enquanto a diplomacia a caminho de Islamabad, o campo de batalha ferve. Na quarta-feira, Israel escalou os ataques com a operação “Eternal Darkness”, promovendo bombardeios massivos contra Beirute e o sul do Líbano. O saldo é trágico: entre 180 e 300 mortos e mais de mil feridos em apenas um dia.

Há centenas de relatos e imagens nas redes sociais de ataques, em Beirute, a bairros residenciais, que atingiram prédios de apartamentos. A Cruz Vermelha tem retirado crianças de escombros gravemente feridas. Pelo menos 80 mortos. Os prédios estão passando por vistorias para verificação da estrutura civil.

O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, acusou Israel de ignorar deliberadamente todos os apelos internacionais pela paz. Para o governo de Masoud Pezeshkian e o chanceler Abbas Araghchi, a agressão ao Líbano é uma linha vermelha. A Guarda Revolucionária já prometeu uma “resposta contundente” ao que considera uma violação direta dos compromissos assumidos.

Incerteza Regional e o Estreito de Ormuz

O racha diplomático ameaça os Acordos de Islamabad. As negociações diretas previstas para começar nesta sexta-feira (10)  que contam com a presença do vice-presidente dos EUA, JD Vance, estão agora por um fio.  A instabilidade já reflete na economia global e na segurança logística. O Irã sinalizou que pode voltar a fechar o Estreito de Ormuz caso o cerco ao Líbano não seja interrompido. O mundo aguarda com apreensão as próximas 48 horas, que podem definir entre uma trégua frágil ou uma conflagração regional sem precedentes.